terça-feira, 12 de abril de 2011

Tutorial Iluminadores - Foco Filmes

Mais uma série de excelentes videos da Foco Filmes, do Rio de Janeiro. Dessa vez, vc vai conhecer um pouco mais sobre os diferentes tipos de iluminadores existentes no mercado. Se vc nao sabe exatamente qual tipo de iluminador precisa para aquela determinada situaçao q vc deseja gravar / filmar, taí uma otima chance de conhecer cada um deles e ver do q cada um é capaz de fazer e atender (ou não) as suas necessidades!





segunda-feira, 28 de março de 2011

@liscapisca Meets The Television: Everybody Haaaaates Chris!!!!!!


Obrigada, Rede Record, que tanta gente insiste em chamar de Recópia como se você fosse a primeira a copiar alguma coisa (quando qualquer passeio por aí mostra que absolutamente TODAS as emissoras brasileiras copiam algo de alguém) e, no entanto, original ou não, está nos dando maior presente do mundo toda a santa tarde (para ficar dentro do jargão de seus donos) com uma das melhores séries já criadas nos Estados Unidos. Lembro de uma época em que as pessoas criticavam os enlatados (houve um tempo em que a Globo tinha séries americanas todo fim de tarde). Hoje há quem pague para ver os enlatados. Admirável Mundo Novo. Pois bem, para o telespectador em busca de um pouco de diversão, basta que se faça o que a Record fez: comprar uma série original e maravilhosa, encontrar tradutores que deixem o texto com o mesmo gostinho do original (o que de melhor tem nessa série é o politicamente incorreto – hilário – que imperava na década de 1980, quando se passa a história), e chapá-la pela nossa goela abaixo todos os dias, durante duas horas e meia, ou algo assim, com uns quatro ou cinco episódios seguidos. É um mês de série por dia. E, é claro, as quatro temporadas vão voar, mas não tem problema porque vocês vão passar tudinho de novo e essa é uma daquelas séries que a gente assiste ao mesmo episódio 30 vezes e depois fica repetindo suas frases clássicas no meio das conversas.

Todo Mundo Odeia o Chris conta as “memórias” (ficcionais? Essa é uma das graças) do comediante Chris Rock. Sua família, muito “gente como a gente”, tem nas mulheres seus pontos mais divertidos: uma mãe super verossímil e uma irmã que é o capeta encarnado (esperamos que seu personagem seja completa ficção). As situações pelas quais Chris passa na série são iguaizinhas a algumas que você já passou em algum momento da vida se você não era o f*dão do seu colégio nem andava com eles. Os personagens coadjuvantes da história, todos eles, têm igualmente seu charme, até o sujeito que está sempre pedindo 1 real. Mas, sem dúvida, a maior graça da série é a dublagem não soar como dublagem. Curioso que quando assisti à legendada, não me prendeu a atenção (só curti a série depois que a vi dublada).

Chris Rock é um dos principais stand-up comedians de seu país, já tendo participado de eventos muito importantes, entre eles a entrega do Oscar. Ele é o sujeito que diz o que ninguém está pronto para ouvir. De humor politicamente incorreto e cheio de termos ofensivos, essa descrição vai fazer você pensar em alguns comediantes semelhantes aqui, mas, esqueça: não há no Brasil nenhum stand-up comedian cuja atitude e material se assemelhem aos dele. Seus shows são só para iniciados (gente de mente muito aberta). Mas a série é para todos os públicos mesmo, pois ao contrário de um Dois Homens e Meio, não há absolutamente nada na série de Chris Rock que possa constrangê-lo se sua sogra e seu filho menor estiverem na sala assistindo junto com você.

Porém desfrutar da história de Chris Rock em sua totalidade não é para qualquer um: tem que ter uns trintinha para poder entender todas as referências à época. Mesmo assim, é sempre diversão garantida. A trilha sonora é uma delícia. E você nem precisa pagar TV a cabo para curtir nem ficar acordado até as 2 da manhã. Agora é torcer para que a Record não crie mais um horário de novelas e mantenha o Chris em seu fim de tarde por muito tempo.

Todo Mundo Odeia o Chris (Everybody Hates Chris)
De segunda a sexta, a partir das 16h15
Sábados, a partir das 14h15
Na Record.

Bobagens sobre a TV em tempo real – sigam-me os bons: @liscapisca.

segunda-feira, 14 de março de 2011

@liscapisca Meets The Television: Rede Grobo....Fuc !!!


Não tem como não questionar o inquestionável: afinal de contas, por que raios a Globo se mantém como a emissora de TV mais conhecida, mais assistida e mais amada (?) do país sem respeitar seu público? Será que o telespectador é masoquista? Vamos aos fatos:
1) Essa semana saiu a notícia de que a Rede TV passaria a transmitir os jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol e o que se viu no Twitter foi euforia entre os contentes em poderem ouvir comentários de Sílvio Luiz (aprendemos na última Copa que Galvão Bueno NÃO é unanimidade entre as multidões) e os aliviados por finalmente poderem assistir a um jogo de futebol em horário decente. Então os jogos de quarta-feira começando depois da novela teriam seus horários determinados pela Rede Globo? Coisa estranha, mas enfim, parece que essa era das trevas chegou ao fim;
2) Quem gosta de carnaval e acompanhou tanto o desfile das escolas de samba (na Globo) quanto o desfile das campeãs (na Band) percebeu a diferença no tratamento da coisa toda. A Band posicionou câmeras que permitiram ver detalhes de alegorias que passaram imperceptíveis na Globo. Por isso desfiles são tão cansativos até para quem gosta: não dá para ficar uma hora vendo as coisas do mesmo ângulo. Só quando assisti ao desfile da Unidos da Tijuca na Band é que entendi porque tinha tanta gente no Twitter dizendo que o campeonato para a Beija Flor fora roubado (e pela Globo, mas aí já acho que é teoria da conspiração demais). Para não falar na mesquinharia com Ana Hickmann, que só foi anunciada depois de se arrebentar no chão (um monstro corporativo não pode dar crédito para funcionário da concorrência? Era só identificá-la como a modelo);
3) A Rede Globo insiste em comprar os direitos de transmissão do Oscar apenas para tirar o produto do mercado. O evento começa a ser apresentado sempre já pelo meio, depois da entrega de alguns prêmios e ignorando-se toda a constelação hollywoodiana no tapete vermelho. Quem gosta desse tipo de atração quer ver detalhes, do começo ao fim, não quer um produto picotado. E existe um público grande consumindo esse tipo de transmissão, pois quando as TVs a cabo apresentam as premiações do Grammy, Emmy, Tony, Bafta, Globo de Ouro (para não falar das da MTV), o assunto acaba sempre parando no Twitter. Então, se você não paga TV a cabo, é azar o seu que a Globo compre esse evento todos os anos;
4) As séries. As manhãs de domingo da Globo, no século passado (!), já foram muito interessantes. A emissora exibia seriados como MacGyver, Doogie Howser, Os Anjos da Lei (21 Jumpstreet) uma vez por semana, como tem que ser (senão chama-se “novela” e já falamos sobre isso em outra coluna). O que acontece hoje: dois (três?) anos depois da estreia de Lost, a Globo tasca um episódio depois do outro nas férias de janeiro após a uma da manhã ao longo de três semanas. Viu? Viu; Não viu? Vá alugar. Por que não deixou para o SBT comprar? Eles também passam séries todos os dias SUPER tarde da noite, mas as temporadas terminam e se reiniciam, e você as assiste quando está de férias, quando as férias acabam, ou até quando o tio Sílvio resolver tirá-las do ar. A Globo já enterrou uma sitcom excelente chamada Spin City que era exibida às cinco da manhã e seria muito mais interessante num sábado à tarde. Ontem escutei que a Vênus Platinada apresentará novas séries esse ano. “Logo” depois do Jô. Sério mesmo, depois das duas da manhã? Obrigada pela esmola, Rede Globo, e acima de tudo pelo respeito por seu público, que só deve estar por aí ainda porque tv a cabo é cara.

Bobagens sobre a TV em tempo real – sigam-me os bons: @liscapisca.

terça-feira, 8 de março de 2011

@liscapisca Meets The Television: Esquindô, Esquindô na TV!



Semaninha estranha na TV já que os canais ficam meio monotemáticos, né. Mas tudo bem, afinal de contas são só 5 dias por ano, ninguém vai morrer disso. E quem achar que pode morrer disso, tem sempre a opção de desligar a TV, fechar as janelas e ler um livro (se souber ler). Ou retirar-se para o meio do mato.
Convenhamos que o que salva esses desfiles de escola de samba é mesmo a transmissão da TV. Para quem está lá na passarela só a barulheira importa, mas duvido que alguém entenda o enredo e a forma como fantasias e alegorias o explicam em um grau que vá além do superficial (ah a escola tá contando diversas formas de amor, por isso tem o cupidinho ali. Mas quem é esse Eros da música?). Já assisti escola de samba desfilando. A única coisa que se consegue fazer é sentir o estrondo da bateria dentro do corpo (parece terremoto) e, vez ou outra, diante de uma fantasia ou um carro alegórico mais bem feito, deixar cair o queixo em admiração. Por isso é legal a TV Globo transmitindo e explicando tintim por tintim o enredo, com a letra do samba na tela, os nomes dos carros alegóricos e das alas. Ajuda também a pesquisa que eles fazem e as historinhas que eles contam. Mas, mesmo com todo o enxerto, a verdade é que depois de uns 25 minutos de uma escola, a gente já ta bocejando e pedindo que venha a próxima. Assistir a desfile de escola de samba na TV é uma prova de resistência. Para quem está sentado no sofá, eles são longos demais, o horário não contribui e o fato de que você não vai ficar batucando e requebrando na frente da TV só complica (nada contra se você é do tipo que faz isso, mas eu o olharia de forma suspeita). Para quem gosta de ver os resultados de um trabalho artístico que leva um ano para ficar pronto, é uma judiação.
Isso é para quem acompanha o eixo Rio-SP (e nós da Baixada Santista também somos “agraciados” com toda a “beleza”, o “luxo” e a “riqueza” das escolas da região, exibidas por emissoras locais); para quem prefere inteirar-se sobre o que acontece mais perto do Equador tem as transmissões dos trios elétricos de Salvador. Tive uma fase “Band Folia”, acompanhava shows e mais shows o dia inteiro. O bacana do Carnaval da Bahia é ver grandes artistas embalando um público imenso em espaço aberto. Mas depois de uns dois anos aquilo cai na mesmice, a menos que você tenha coragem de estar no meio (já tive muita vontade, hoje me faltaria cojones para enfrentar a suvaqueira). Os artistas são os mesmos, quando vem uma novidade geralmente é aquele cara da música que você não aguenta mais ouvir porque se deu overdose dela antes mesmo do Carnaval chegar. Eu gostava de ver o Carnaval de Ivete, mas como ela transformou seu trabalho em uma coisa de ano inteiro, quando chega essa época já não agüento mais vê-la/ouvi-la e ela quem acaba me fazendo mudar de canal. Quero ver novidades, coisas diferentes, música nova. Hoje desenterraram o baixinho do Terrasamba. Adorei vê-lo e ouvi-lo, adorava a banda quando estourou, mas eu só fui capaz de ficar feliz em vê-lo hoje porque ele faz o favor de se retirar fora do Carnaval (na verdade já havia mesmo alguns carnavais que eu não o via).
Enfim, é bom ter opções para o dia e a noite, e opções musicais variadas, porque samba enredo é muito legal mas depois do terceiro tem-se a impressão de estar ouvindo a mesma música há horas, só variando a letra. Porém, o melhor do Carnaval na TV não envolve música e só chega nas últimas horas da farra. O Gala Gay do Rio de Janeiro, com todo aquele circo que freta aviões e mais aviões europeus para vir se exibir aqui com pompa e circunstância (só pode ser para a família e as quengas do bairro que só faziam criticar verem que elas “venceram” na vida) é uma das coisas mais divertidas que há na TV. Tem coisa bem triste também, tipo aquela bichinha pão com ovo que insiste em aparecer na tela e por sua voz de Pato Donald no ar mesmo sem ter absolutamente nada a acrescentar. Mas eu fico pensando que a pessoa esperou 364 dias para ter aquele momento de glória, então deixemo-la ser feliz e aguardemos os novos achados. Essa delícia é transmitida pela Rede TV – mais tosqueira, impossível. Estou desde sexta-feira aguardando esse momento apoteótico. Aí sim, depois desses dias de festa em que todo mundo que gosta/aprecia/curte/aproveita/tolera Carnaval se permite ser feliz, a gente pode voltar à programação normal e viver 359 dias sem o encanto da única coisa que brasileiro sabe fazer melhor que todo mundo.

Bobagens sobre a TV em tempo real – sigam-me os bons: @liscapisca.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

@liscapisca Meets The Television: Altas Horas


Olha, se você é do tipo que um sábado sem um “evento” é como um dia perdido, não se mate de desespero quando todos os seus amigos resolverem sair e nenhum deles se “lembrar” de te chamar. Se você ainda não fez isso, dê uma chance à TV aberta e assista ao Altas Horas, na rede Globo, que você não vai se arrepender. Já faz um tempo que Serginho Groismann (?) tem-me feito companhia nas duras noites de trabalho (chega uma hora em que só consigo produzir se houver barulhinho da TV de fundo). É verdade que, dependendo dos convidados, em alguns sábados o programa parece que meio que se arrasta. Mas às vezes acontece o que aconteceu no último sábado, em que tinha tanta gente bacana (e até a molecada estava finalmente com perguntas interessantes), que quando o programa acaba você fica se perguntando porque não o deixaram no ar até as 6 da manhã.

É verdade que tem algumas falhas. Por exemplo, acho que dois entrevistados por noite estaria de bom tamanho. Semana passada havia três: o lutador Anderson Silva, o ator Diogo Vilela e o cabeleireiro Celso Kamura. Obviamente a molecada monopolizou Anderson Silva. Aí Serginho tem que ficar fazendo meio de campo pedindo alguém para fazer pergunta para B e C (não só para A), e aí o cara que quer porque quer ouvir a própria voz no microfone faz uma pergunta aleatória qualquer só para não perder a oportunidade. Uma pena. Acho que tanto Diogo quanto Celso teriam bastante histórias interessantes para contar.

No último sábado (27/02) foi ao ar o melhor programa que assisti até agora (acho que tem pouco mais de um ano que passo a noite de sábado na companhia do “Serginho” – já me sinto íntima). Estavam lá Lobão, Cyndi Lauper (dois ícones dos anos 80 e personagens ativos da minha infância – eu não cresci ouvindo Madonna, eu cresci ouvindo Cyndi), Bruno Mazzeo e Alice Braga. Os dois primeiros pareciam velhos colegas de escola (ela, aliás, parecia estar tão em casa com Lobão que eu arriscaria que ficou a fim dele) e os dois segundos pareciam meio deslocados (que eu me lembre, Alice Braga recebeu UMA pergunta e Bruno duas). Mas, mais uma vez, estava lá o Serginho Groismann, dessa vez puxando assunto para que todos falassem.

Confesso, comecei a assistir ao programa pelo motivo errado – era por causa do quadro em que se fala de sexo. As perguntas que vinham eram tão descabidas que se tornavam uma atração por si só. Aí comecei a perceber que havia números musicais interessantes (as entrevistas, a menos que se trate de alguém do meu mais grave interessante, só servem para me fazer dormir). Já vi naquele programa coisas do tipo Chorão do Charlie Brown Jr. dizendo para Luan Santana que o tipo de música que ele faz não é o que lhe agrada, mas que ele respeita o garoto e seu trabalho (momento inédito – e inesperado da TV). Também vi NX Zero se apresentando com um rapper. Não gosto de NX Zero e, em geral, detesto rap, mas o resultado daquele encontro foi bacana. Não deixando de lado o público-alvo do programa (a presença de Serginho Groismann e do quadro das perguntas sobre sexo indicam que seria o adolescente, mas não consigo ver aquele como um programa voltado ao público adolescente, muito ao contrário), já houve campanha anti-bullying e ontem houve o depoimento de um rapaz que sofreu trote violento. Mas o encanto do programa está em seus convidados: quando há uma boa seleção, você vai dormir contente em não ter desperdiçado uma noite de sábado. O de ontem, especialmente, foi um daqueles momentos em que a gente diz, com orgulho... poxa, e eu não precisei de TV a cabo para ter uma programação dessas. Pena que não é diário e não tem umas 5 horas de duração.

Bobagens sobre a TV em tempo real – sigam-me os bons: @liscapisca.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

@liscapisca Meets The Television: Um Improviso Dispensável!



Vou te ensinar a destruir (em apenas seis passos!) um programa genial que tinha tudo para ser um enorme sucesso:

1) Tire o programa de uma pequena TV UHF e leve para uma emissora aberta.
2) Substitua o apresentador principal do programa, que leva jeito para o que está fazendo, por um sujeito sem graça, sem carisma e que parece perdido.
3) Junte a uma equipe de muita competência e que trabalha muito bem, um ator mediano e duas atrizes cuja única graça seja a "beleza exótica".
4) Troque um palco pequeno, simples e funcional por um palco imenso à la Televisa (uma explosão de cores) que distraia a atenção do telespectador.
5) Adicione uma bandinha com músicas para abrir cada quadro (e quebrar o ritmo do programa).
6) Em vez de solicitar a participação do público apenas fornecendo temas para serem desenvolvidos, pegue elementos da plateia (sem preparo algum) e coloque-os no palco. Mate não só o teu espectador, mas também o teu telespectador de vergonha.

Pronto. Acabei de descrever a catástrofe que transformou o antigo Quinta Categoria (MTV) no novo É Tudo Improviso (Band). Nada mais preciso dizer. Assista você mesmo e veja o que aconteceu (links abaixo). Quando o programa chegou à TV Bandeirantes ainda trazia os três excelentes atores da MTV (o Grupo Barbixas), mas acho que até eles perceberam a fria em que haviam se metido e foram substituídos por gente do mesmo nível em que o programa chegou. Ou seja, nada restou para salvar a história.

Como o programa era:

(tem um jogo das frases de brinde, que era muito legal e sumiu durante a metamorfose)

Como ficou:

Vejamos:
1) JOGO DO TROCA TROCA: até o fim da sequência musical, você já terá trocado de canal - PESCOU, HAH?!?!?!
2) Esse "figurino" é que não dá para entender. Parece que estavam tomando um cafézinho no bar da esquina, um virou para o outro e disse: "ei, vamos lá na TV fazer umas micagens?" (o apresentador não, porque aquilo não é roupa que se use em ambientes externos). Na MTV, os atores usavam macacões que chegavam a RASGAR de tão livres que eles se sentiam para executar os movimentos (e quem já fez 2 aninhos de teatro sabe como é esse negócio, tanto que se fala sempre em "roupa de guerra" para ensaiar), mas... com esse figurino que a Band proporciona, seria possível encarnar uma foca e se esfregar no chão?

O programa original não tinha mulheres no elenco e elas nunca fizeram falta: vi várias vezes os rapazes interpretando diversas mulheres/meninas mostrando-se muito mais femininos do que as duas moças que participam do programa novo. Sem falar na tendência que elas têm para gritar (não, não é que o personagem peça que elas falem alto, até porque o que elas fazem muitas vezes é gritar mesmo. Ou então as vozes são agudas demais e meu ouvido é que não aguenta).

Uma das maiores mancadas na fórmula do programa novo é a participação do público na hora de sugerir temas. No original, um dos participantes do programa se postava junto à plateia, colocava o microfone e dizia "fulano, diga alguma coisa que...". Assim, no susto. A pessoa invariavelmente dizia a primeira bobagem que viesse à cabeça e o resultado muitas vezes ajudava os atores na elaboração de cenas bizarras e absurdas (sem que fosse preciso criar um quadro específico com esse título, como existe agora). No novo programa o tema é lançado, o apresentador fica procurando alguém na plateia para contribuir e, enquanto isso, todos têm tempo para pensar. Espontaneidade foi-se embora.

Nem vou falar da bobagem que Marcos Mion fez em sair desse programa na MTV. Aliás, todos fizeram grandes bobagens aqui, mas a maior de todas as mancadas quem cometeu foi a MTV quando perdeu um elenco tão perfeitamente entrosado (pois o Quinta Categoria original, com o mesmo palco, os mesmos jogos e a mesma abordagem da plateia permanecem lá, mas com novos atores que, embora tenham sua graça, não têm o carisma nem a naturalidade dos originais), responsável pelo programa mais legal da casa (Marcelo Adnet e o Comédia MTV só chegaram depois. Para salvação da MTV, já que o M do nome da TV é o que menos tem por lá).

Eu tive certeza de que esse É Tudo Improviso era um fiasco sem tamanho na última segunda-feira, quando levaram um cara hilário como o Danilo Gentili para participar de um quadro e nem ele conseguiu me arrancar um mero sorriso (parecia mais perdido do que cego em tiroteio). Depois descobri que na verdade ele participou de DOIS quadros, mas eu havia mudado de canal antes que o primeiro terminasse. Lamentavelmente.

Bobagens sobre a TV em tempo real – sigam-me os bons: @liscapisca.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

@liscapisca Meets The Television: Domingão da Casé!



Inhaí... após três semanas sem TV, estou de volta de meu retiro espiritual. E volto trazendo uma bomba: você sabia que os programas de entretenimento que passam na TV uruguaia são, em sua maioria, produzidos pela Argentina, e não no país? Diz uma amiga que tenho em Montevideo que isso acontece porque os uruguaios não dão bola para a TV enquanto entretenimento, não querem saber de produzir nem de assistir (os programas jornalísticos, obviamente, esses são feitos no país). Isso talvez explique a esmagadora quantidade de livrarias e sebos, os excelentes índices de educação e cultura do país (e todas as demais consequências, como ser o país mais seguro e de melhor qualidade de vida da América do Sul, só para dar uma noção do que é uma terra de gente civilizada).

Mas, bem, li hoje uma entrevista do Marcelo Médici para A Tribuna em que ele diz, em outras palavras, que a TV apresenta aquilo que o povo quer ver. Portanto, paremos de reclamar que a TV brasileira não tem qualidade – nós é que não temos senso crítico e continuamos a assisti-la. E estamos lá, espelhados nela. Faz sentido: a TV uruguaia não tem uruguaios porque eles estão ocupados longe dela. Mas tem argentinos, inclusive se exibindo no Big Brother, que lá se chama Gran Hermano, mas é igualzinho ao daqui: as legendas explicam “estão falando de Fulano e Beltrano”, “veja a briga de Fulaninha e Fulanalda”. O que me leva a concluir que rixa entre brasileiro e argentino não tem pé nem cabeça pois, enquanto sociedades consumidoras de TV, somos iguaizinhos.

Pois bem, a TV brasileira espelha a sociedade tão bem que agora tem um programa que BERRA Brasil-il-il-il, brasilidade é isso aqui, somos-um-país-tropical e etc e tal. A tradução perfeita daquilo que o Brasil é vai ao ar aos domingos, no horário do almoço, na TV Globo. Ou melhor: a tradução perfeita daquilo que o gringo PENSA que o Brasil é. Começa pela apresentadora, Regina Casé, que tem a cara do Brasil. É isso mesmo, crianças: Xuxa, Angélica, Eliana e Ana Maria Braga não têm cara de brasileiras (que tenham nascido fora da região Sul). A tia Regina Casé sim, essa podia ter nascido em qualquer lugar do país, do Oiapoque ao Chuí. Os convidados entram dançando ao som de um sambinha. Pára tudo: ATÉ O PRESIDENTE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO VEIO SAMBANDO. Lembrei do Príncipe Charles dançando com a passista Pinah em 1981 (?). Ora se esse não é isso mesmo que o gringo pensa do Brasil, que é esse é o país em que até os mais improváveis caem no samba?

Enfim, o programa é um festival da disseminação dos estereótipos, e tudo aquilo que os gringos acham que todos os 180.000.000 de nós somos está lá: vários convidados do samba, uma escola de samba diferente a cada domingo, passistas de escola de samba usando biquíni prateado e muitas plumas no palco, crianças fantasiadas de nega-maluca (!) dançando o tempo inteiro, lá pelas tantas entra um grupo dançando funk-de-morro... Tudo com muita cara de o-Brasil-inteiro-é-o-Rio-de-Janeiro, até que lá pelas tantas entra um grupo de gaúchos vestidos com roupas típicas (todas muito longas e muito amplas) preparando um churrasco e fazendo a... dança do pezinho! Uma evidência comprometedora dessas e ainda tem quem não entenda por que o Rio Grande do Sul é um país à parte.

O programa tem alguns pontos muito positivos, por exemplo, o cenário chocantemente colorido (com cara de Televisa Producciones) em nada lembra as produções da Globo, o que me dá a impressão de que a criatividade chegou ao visual da Vênus Platinada. Fernando Henrique Cardoso usou seu tempo para dar declarações esclarecedoras a respeito da descriminalização das drogas, que defende, explicando o que é e como se faz, e citando exemplos que fizeram com que eu parasse de ver o ex-presidente como alguém da turma do legalize e finalmente aceitasse sua proposta como válida. A explanação foi rápida, curta e em termos claros, ou seja, prestou um serviço de utilidade, pois não há como não tê-lo entendido (e sabemos da dificuldade que as pessoas têm em entender um político, ainda mais um do calibre de FHC). Tem muita música, e ao vivo, o que para quem gosta do estilo (hoje foi só sambão, não sei se varia, me pareceu que não), é uma diversão e tanto. Particularmente samba não é minha praia, mas é um som que respeito e tolero, e foi bonito ver vários descendentes de sambistas famosos juntos fazendo uma música agradável aos ouvidos (contrastando com tanto lixo que jovens e adultos andam produzindo e chamando de “rock” ou de “funk”, duas heresias). Mas o que incomoda é essa insistência em que o Brasil é “uma coisa só”: um programa com cara de Brasil teria que ter no mínimo umas 5 horas de duração, para ter tempo suficiente para mostrar todas as nuances de um país tão variado quanto esse. Ou, pelo menos, a cada domingo deveria focar uma região/característica/aspecto cultural diversificado. Mas pelo formato do programa, senti que o enfoque à diversidade ficou só nos 5 minutos dedicados à dança do pezinho e ao churrasco gaúcho. E continuemos vivendo assim então, acreditando (e deixando todos ao redor acreditarem) que o país é 95% composto pelo Rio de Janeiro e 5% pelos demais estados.

Bobagens sobre a TV em tempo real – sigam-me os bons: @liscapisca