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terça-feira, 10 de maio de 2011

@liscapisca Meets The Television! Criatividade (ou a falta dela) na TV Brasileira



Hoje, dia 10/05, noticiou-se o falecimento da Lacraia (aquela da Éguinha Pocotó), e diante de tal notícia vou fazer aqui uma profecia: na pauta de todos os programas de auditório do próximo domingo, dia 15, haverá algum momento de homenagem à vitaminadíssima musa-mor do funk (vitaminada sim, porque chacoalhar daquele jeito magrinha como era só com alguma vitamina especial no organismo).

Mas, na verdade, profetizar os programas de auditório de domingo (em particular os exibidos pela Rede Record e pelo SBT) tornou-se tarefa fácil. É só ficar de olho na internet. Nos vídeos do YouTube, mais especificamente. No último domingo, estava lá na TV o vídeo do menino com a formiguinha. Eu soube que esse vídeo iria para a TV quando, depois de aparecer no meu Facebook compartilhado/comentado por mais de 10 pessoas diferentes e sem relação nenhuma umas com as outras, o vi compartilhado por Celso Portiolli no Twitter. Eu seria capaz de reproduzir a imagem da equipe de produção trabalhando: “Acharam vídeo novo com crianças fofinhas rodando de graça por aí? Estamos de olho”. Ok, o vídeo é uma gracinha? É. Igual ao dos irmãozinhos gêmeos conversando numa língua toda sua, que apareceu umas 10 vezes na mesma semana em diferentes canais, até na MTV (oi?). Mas o Adnet ao Vivo (MTV) é um programa que trata, entre outras coisas, do que está acontecendo na internet, então nada mais natural do que mostrar em sua atração aquilo que repercutiu a semana inteira na rede. E ele passou um trechinho do vídeo, fez seus comentários e assunto encerrado. Já no domingo vi o mesmo vídeo (inteiro) umas 3 vezes, e não sendo suficiente, um programa de variedades (baseado em vídeos diversos) da Band também o exibiu. Sempre com comentários e/ou narração (desnecessários) de uma locutora chatinha.

Falta criatividade? E não é em um só programa. Quando você vê que atrações diferentes de uma mesma emissora no ar no mesmo dia têm cada uma delas o seu quadro de “vídeos mais comentados/bacanas/vistos (insira aqui sua palavra favorita) da semana”, é sinal de que algo está errado por aí. Estudar para trabalhar em TV nunca esteve nos meus planos, pois eu me questionava se teria suficiente criatividade para pôr coisas novas no ar obedecendo a prazos (semanais ou diários, dependendo do programa). Em tempos de reality show (que, em teoria, não requer roteiro) e de melhores vídeos da semana, parece-me que essa é uma preocupação que não precisa existir na maioria das cabeças produtoras da TV.

E não vou nem falar no Programa Pânico, que começou como uma grande irreverência (quebrando o “mais do mesmo” dos programas de humor) e se transformou em uma coletânea de sacanagens entre colegas (numa sensacional demonstração de “muito mais de mim mesmo”).

Veja só, ainda é terça-feira e minha profecia já começou a se concretizar: está lá a Sônia Abrão, no primeiro minuto de programa, anunciando a homenagem à queridíssima Lacraia (no irony intended, eu gostava mesmo da menina). A TV me transformou em uma vidente de mão cheia, pena que eu ainda não consiga adivinhar os números que Luigi Barrichelli lê na Globo naquele programa anual (Mega-Sena da Virada).

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sábado, 16 de abril de 2011

@liscapisca Meets The Television: A velhinha danada!


Veja só como esse mundo da TV é dinâmico: a coluna da semana estava até pronta, só faltava uma revisão, quando descobri uma coisa que não pode passar sem uma nota. O mundo inteiro tem que saber disso!

Você se lembra de um programa que Penélope Nova apresentava na MTV chamado “Ponto Pê”? Foi uma das coisas mais divertidas que já passou pela Music Television, pois Penélope estava muito à vontade e deixava o programa com uma leveza agradável, sem nunca deixar de apontar para as responsabilidades necessárias: não passava uma edição em que ela não dissesse pelo menos uma vez o hoje óbvio “use camisinha”.


(Essa só ligou para se exibir… e nos divertir, mas tinha bastante gente pedindo diquinha, tirando dúvida, etc.)

Agora, você com certeza também se lembra bem da Dona Palmirinha Onofre, aquela vovozinha simpática que fazia comida na Gazeta. Ela é tão fofa, mas tão fofa, que ficou pop... deu uma longa entrevista pro Jô, virou participação especial do CQC...



Agora feche os olhos e deixe sua imaginação brincar… imagine Dona Palmirinha fazendo a consultoria que dava Penélope Nova, levando um papo íntimo ao telefone com seus telespectadores.

Não sou eu que sou sacana não: isso EXISTE, e está no ar à noite, na GNT.


Minha parte favorita: “ou você pode dizer… hahaha…uh”

O didatismo dela é sensacional... e você nunca mais irá ver um programa de culinária com os mesmos olhos... especialmente se o prato do dia levar suco de limão!

Talk Sex (Falando de Sexo com Sue Johanson)
Terças, às 00h30
Sábados, às 02h30
Na GNT.

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segunda-feira, 28 de março de 2011

@liscapisca Meets The Television: Everybody Haaaaates Chris!!!!!!


Obrigada, Rede Record, que tanta gente insiste em chamar de Recópia como se você fosse a primeira a copiar alguma coisa (quando qualquer passeio por aí mostra que absolutamente TODAS as emissoras brasileiras copiam algo de alguém) e, no entanto, original ou não, está nos dando maior presente do mundo toda a santa tarde (para ficar dentro do jargão de seus donos) com uma das melhores séries já criadas nos Estados Unidos. Lembro de uma época em que as pessoas criticavam os enlatados (houve um tempo em que a Globo tinha séries americanas todo fim de tarde). Hoje há quem pague para ver os enlatados. Admirável Mundo Novo. Pois bem, para o telespectador em busca de um pouco de diversão, basta que se faça o que a Record fez: comprar uma série original e maravilhosa, encontrar tradutores que deixem o texto com o mesmo gostinho do original (o que de melhor tem nessa série é o politicamente incorreto – hilário – que imperava na década de 1980, quando se passa a história), e chapá-la pela nossa goela abaixo todos os dias, durante duas horas e meia, ou algo assim, com uns quatro ou cinco episódios seguidos. É um mês de série por dia. E, é claro, as quatro temporadas vão voar, mas não tem problema porque vocês vão passar tudinho de novo e essa é uma daquelas séries que a gente assiste ao mesmo episódio 30 vezes e depois fica repetindo suas frases clássicas no meio das conversas.

Todo Mundo Odeia o Chris conta as “memórias” (ficcionais? Essa é uma das graças) do comediante Chris Rock. Sua família, muito “gente como a gente”, tem nas mulheres seus pontos mais divertidos: uma mãe super verossímil e uma irmã que é o capeta encarnado (esperamos que seu personagem seja completa ficção). As situações pelas quais Chris passa na série são iguaizinhas a algumas que você já passou em algum momento da vida se você não era o f*dão do seu colégio nem andava com eles. Os personagens coadjuvantes da história, todos eles, têm igualmente seu charme, até o sujeito que está sempre pedindo 1 real. Mas, sem dúvida, a maior graça da série é a dublagem não soar como dublagem. Curioso que quando assisti à legendada, não me prendeu a atenção (só curti a série depois que a vi dublada).

Chris Rock é um dos principais stand-up comedians de seu país, já tendo participado de eventos muito importantes, entre eles a entrega do Oscar. Ele é o sujeito que diz o que ninguém está pronto para ouvir. De humor politicamente incorreto e cheio de termos ofensivos, essa descrição vai fazer você pensar em alguns comediantes semelhantes aqui, mas, esqueça: não há no Brasil nenhum stand-up comedian cuja atitude e material se assemelhem aos dele. Seus shows são só para iniciados (gente de mente muito aberta). Mas a série é para todos os públicos mesmo, pois ao contrário de um Dois Homens e Meio, não há absolutamente nada na série de Chris Rock que possa constrangê-lo se sua sogra e seu filho menor estiverem na sala assistindo junto com você.

Porém desfrutar da história de Chris Rock em sua totalidade não é para qualquer um: tem que ter uns trintinha para poder entender todas as referências à época. Mesmo assim, é sempre diversão garantida. A trilha sonora é uma delícia. E você nem precisa pagar TV a cabo para curtir nem ficar acordado até as 2 da manhã. Agora é torcer para que a Record não crie mais um horário de novelas e mantenha o Chris em seu fim de tarde por muito tempo.

Todo Mundo Odeia o Chris (Everybody Hates Chris)
De segunda a sexta, a partir das 16h15
Sábados, a partir das 14h15
Na Record.

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segunda-feira, 14 de março de 2011

@liscapisca Meets The Television: Rede Grobo....Fuc !!!


Não tem como não questionar o inquestionável: afinal de contas, por que raios a Globo se mantém como a emissora de TV mais conhecida, mais assistida e mais amada (?) do país sem respeitar seu público? Será que o telespectador é masoquista? Vamos aos fatos:
1) Essa semana saiu a notícia de que a Rede TV passaria a transmitir os jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol e o que se viu no Twitter foi euforia entre os contentes em poderem ouvir comentários de Sílvio Luiz (aprendemos na última Copa que Galvão Bueno NÃO é unanimidade entre as multidões) e os aliviados por finalmente poderem assistir a um jogo de futebol em horário decente. Então os jogos de quarta-feira começando depois da novela teriam seus horários determinados pela Rede Globo? Coisa estranha, mas enfim, parece que essa era das trevas chegou ao fim;
2) Quem gosta de carnaval e acompanhou tanto o desfile das escolas de samba (na Globo) quanto o desfile das campeãs (na Band) percebeu a diferença no tratamento da coisa toda. A Band posicionou câmeras que permitiram ver detalhes de alegorias que passaram imperceptíveis na Globo. Por isso desfiles são tão cansativos até para quem gosta: não dá para ficar uma hora vendo as coisas do mesmo ângulo. Só quando assisti ao desfile da Unidos da Tijuca na Band é que entendi porque tinha tanta gente no Twitter dizendo que o campeonato para a Beija Flor fora roubado (e pela Globo, mas aí já acho que é teoria da conspiração demais). Para não falar na mesquinharia com Ana Hickmann, que só foi anunciada depois de se arrebentar no chão (um monstro corporativo não pode dar crédito para funcionário da concorrência? Era só identificá-la como a modelo);
3) A Rede Globo insiste em comprar os direitos de transmissão do Oscar apenas para tirar o produto do mercado. O evento começa a ser apresentado sempre já pelo meio, depois da entrega de alguns prêmios e ignorando-se toda a constelação hollywoodiana no tapete vermelho. Quem gosta desse tipo de atração quer ver detalhes, do começo ao fim, não quer um produto picotado. E existe um público grande consumindo esse tipo de transmissão, pois quando as TVs a cabo apresentam as premiações do Grammy, Emmy, Tony, Bafta, Globo de Ouro (para não falar das da MTV), o assunto acaba sempre parando no Twitter. Então, se você não paga TV a cabo, é azar o seu que a Globo compre esse evento todos os anos;
4) As séries. As manhãs de domingo da Globo, no século passado (!), já foram muito interessantes. A emissora exibia seriados como MacGyver, Doogie Howser, Os Anjos da Lei (21 Jumpstreet) uma vez por semana, como tem que ser (senão chama-se “novela” e já falamos sobre isso em outra coluna). O que acontece hoje: dois (três?) anos depois da estreia de Lost, a Globo tasca um episódio depois do outro nas férias de janeiro após a uma da manhã ao longo de três semanas. Viu? Viu; Não viu? Vá alugar. Por que não deixou para o SBT comprar? Eles também passam séries todos os dias SUPER tarde da noite, mas as temporadas terminam e se reiniciam, e você as assiste quando está de férias, quando as férias acabam, ou até quando o tio Sílvio resolver tirá-las do ar. A Globo já enterrou uma sitcom excelente chamada Spin City que era exibida às cinco da manhã e seria muito mais interessante num sábado à tarde. Ontem escutei que a Vênus Platinada apresentará novas séries esse ano. “Logo” depois do Jô. Sério mesmo, depois das duas da manhã? Obrigada pela esmola, Rede Globo, e acima de tudo pelo respeito por seu público, que só deve estar por aí ainda porque tv a cabo é cara.

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terça-feira, 8 de março de 2011

@liscapisca Meets The Television: Esquindô, Esquindô na TV!



Semaninha estranha na TV já que os canais ficam meio monotemáticos, né. Mas tudo bem, afinal de contas são só 5 dias por ano, ninguém vai morrer disso. E quem achar que pode morrer disso, tem sempre a opção de desligar a TV, fechar as janelas e ler um livro (se souber ler). Ou retirar-se para o meio do mato.
Convenhamos que o que salva esses desfiles de escola de samba é mesmo a transmissão da TV. Para quem está lá na passarela só a barulheira importa, mas duvido que alguém entenda o enredo e a forma como fantasias e alegorias o explicam em um grau que vá além do superficial (ah a escola tá contando diversas formas de amor, por isso tem o cupidinho ali. Mas quem é esse Eros da música?). Já assisti escola de samba desfilando. A única coisa que se consegue fazer é sentir o estrondo da bateria dentro do corpo (parece terremoto) e, vez ou outra, diante de uma fantasia ou um carro alegórico mais bem feito, deixar cair o queixo em admiração. Por isso é legal a TV Globo transmitindo e explicando tintim por tintim o enredo, com a letra do samba na tela, os nomes dos carros alegóricos e das alas. Ajuda também a pesquisa que eles fazem e as historinhas que eles contam. Mas, mesmo com todo o enxerto, a verdade é que depois de uns 25 minutos de uma escola, a gente já ta bocejando e pedindo que venha a próxima. Assistir a desfile de escola de samba na TV é uma prova de resistência. Para quem está sentado no sofá, eles são longos demais, o horário não contribui e o fato de que você não vai ficar batucando e requebrando na frente da TV só complica (nada contra se você é do tipo que faz isso, mas eu o olharia de forma suspeita). Para quem gosta de ver os resultados de um trabalho artístico que leva um ano para ficar pronto, é uma judiação.
Isso é para quem acompanha o eixo Rio-SP (e nós da Baixada Santista também somos “agraciados” com toda a “beleza”, o “luxo” e a “riqueza” das escolas da região, exibidas por emissoras locais); para quem prefere inteirar-se sobre o que acontece mais perto do Equador tem as transmissões dos trios elétricos de Salvador. Tive uma fase “Band Folia”, acompanhava shows e mais shows o dia inteiro. O bacana do Carnaval da Bahia é ver grandes artistas embalando um público imenso em espaço aberto. Mas depois de uns dois anos aquilo cai na mesmice, a menos que você tenha coragem de estar no meio (já tive muita vontade, hoje me faltaria cojones para enfrentar a suvaqueira). Os artistas são os mesmos, quando vem uma novidade geralmente é aquele cara da música que você não aguenta mais ouvir porque se deu overdose dela antes mesmo do Carnaval chegar. Eu gostava de ver o Carnaval de Ivete, mas como ela transformou seu trabalho em uma coisa de ano inteiro, quando chega essa época já não agüento mais vê-la/ouvi-la e ela quem acaba me fazendo mudar de canal. Quero ver novidades, coisas diferentes, música nova. Hoje desenterraram o baixinho do Terrasamba. Adorei vê-lo e ouvi-lo, adorava a banda quando estourou, mas eu só fui capaz de ficar feliz em vê-lo hoje porque ele faz o favor de se retirar fora do Carnaval (na verdade já havia mesmo alguns carnavais que eu não o via).
Enfim, é bom ter opções para o dia e a noite, e opções musicais variadas, porque samba enredo é muito legal mas depois do terceiro tem-se a impressão de estar ouvindo a mesma música há horas, só variando a letra. Porém, o melhor do Carnaval na TV não envolve música e só chega nas últimas horas da farra. O Gala Gay do Rio de Janeiro, com todo aquele circo que freta aviões e mais aviões europeus para vir se exibir aqui com pompa e circunstância (só pode ser para a família e as quengas do bairro que só faziam criticar verem que elas “venceram” na vida) é uma das coisas mais divertidas que há na TV. Tem coisa bem triste também, tipo aquela bichinha pão com ovo que insiste em aparecer na tela e por sua voz de Pato Donald no ar mesmo sem ter absolutamente nada a acrescentar. Mas eu fico pensando que a pessoa esperou 364 dias para ter aquele momento de glória, então deixemo-la ser feliz e aguardemos os novos achados. Essa delícia é transmitida pela Rede TV – mais tosqueira, impossível. Estou desde sexta-feira aguardando esse momento apoteótico. Aí sim, depois desses dias de festa em que todo mundo que gosta/aprecia/curte/aproveita/tolera Carnaval se permite ser feliz, a gente pode voltar à programação normal e viver 359 dias sem o encanto da única coisa que brasileiro sabe fazer melhor que todo mundo.

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

@liscapisca Meets The Television: Altas Horas


Olha, se você é do tipo que um sábado sem um “evento” é como um dia perdido, não se mate de desespero quando todos os seus amigos resolverem sair e nenhum deles se “lembrar” de te chamar. Se você ainda não fez isso, dê uma chance à TV aberta e assista ao Altas Horas, na rede Globo, que você não vai se arrepender. Já faz um tempo que Serginho Groismann (?) tem-me feito companhia nas duras noites de trabalho (chega uma hora em que só consigo produzir se houver barulhinho da TV de fundo). É verdade que, dependendo dos convidados, em alguns sábados o programa parece que meio que se arrasta. Mas às vezes acontece o que aconteceu no último sábado, em que tinha tanta gente bacana (e até a molecada estava finalmente com perguntas interessantes), que quando o programa acaba você fica se perguntando porque não o deixaram no ar até as 6 da manhã.

É verdade que tem algumas falhas. Por exemplo, acho que dois entrevistados por noite estaria de bom tamanho. Semana passada havia três: o lutador Anderson Silva, o ator Diogo Vilela e o cabeleireiro Celso Kamura. Obviamente a molecada monopolizou Anderson Silva. Aí Serginho tem que ficar fazendo meio de campo pedindo alguém para fazer pergunta para B e C (não só para A), e aí o cara que quer porque quer ouvir a própria voz no microfone faz uma pergunta aleatória qualquer só para não perder a oportunidade. Uma pena. Acho que tanto Diogo quanto Celso teriam bastante histórias interessantes para contar.

No último sábado (27/02) foi ao ar o melhor programa que assisti até agora (acho que tem pouco mais de um ano que passo a noite de sábado na companhia do “Serginho” – já me sinto íntima). Estavam lá Lobão, Cyndi Lauper (dois ícones dos anos 80 e personagens ativos da minha infância – eu não cresci ouvindo Madonna, eu cresci ouvindo Cyndi), Bruno Mazzeo e Alice Braga. Os dois primeiros pareciam velhos colegas de escola (ela, aliás, parecia estar tão em casa com Lobão que eu arriscaria que ficou a fim dele) e os dois segundos pareciam meio deslocados (que eu me lembre, Alice Braga recebeu UMA pergunta e Bruno duas). Mas, mais uma vez, estava lá o Serginho Groismann, dessa vez puxando assunto para que todos falassem.

Confesso, comecei a assistir ao programa pelo motivo errado – era por causa do quadro em que se fala de sexo. As perguntas que vinham eram tão descabidas que se tornavam uma atração por si só. Aí comecei a perceber que havia números musicais interessantes (as entrevistas, a menos que se trate de alguém do meu mais grave interessante, só servem para me fazer dormir). Já vi naquele programa coisas do tipo Chorão do Charlie Brown Jr. dizendo para Luan Santana que o tipo de música que ele faz não é o que lhe agrada, mas que ele respeita o garoto e seu trabalho (momento inédito – e inesperado da TV). Também vi NX Zero se apresentando com um rapper. Não gosto de NX Zero e, em geral, detesto rap, mas o resultado daquele encontro foi bacana. Não deixando de lado o público-alvo do programa (a presença de Serginho Groismann e do quadro das perguntas sobre sexo indicam que seria o adolescente, mas não consigo ver aquele como um programa voltado ao público adolescente, muito ao contrário), já houve campanha anti-bullying e ontem houve o depoimento de um rapaz que sofreu trote violento. Mas o encanto do programa está em seus convidados: quando há uma boa seleção, você vai dormir contente em não ter desperdiçado uma noite de sábado. O de ontem, especialmente, foi um daqueles momentos em que a gente diz, com orgulho... poxa, e eu não precisei de TV a cabo para ter uma programação dessas. Pena que não é diário e não tem umas 5 horas de duração.

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

@liscapisca Meets The Television: Um Improviso Dispensável!



Vou te ensinar a destruir (em apenas seis passos!) um programa genial que tinha tudo para ser um enorme sucesso:

1) Tire o programa de uma pequena TV UHF e leve para uma emissora aberta.
2) Substitua o apresentador principal do programa, que leva jeito para o que está fazendo, por um sujeito sem graça, sem carisma e que parece perdido.
3) Junte a uma equipe de muita competência e que trabalha muito bem, um ator mediano e duas atrizes cuja única graça seja a "beleza exótica".
4) Troque um palco pequeno, simples e funcional por um palco imenso à la Televisa (uma explosão de cores) que distraia a atenção do telespectador.
5) Adicione uma bandinha com músicas para abrir cada quadro (e quebrar o ritmo do programa).
6) Em vez de solicitar a participação do público apenas fornecendo temas para serem desenvolvidos, pegue elementos da plateia (sem preparo algum) e coloque-os no palco. Mate não só o teu espectador, mas também o teu telespectador de vergonha.

Pronto. Acabei de descrever a catástrofe que transformou o antigo Quinta Categoria (MTV) no novo É Tudo Improviso (Band). Nada mais preciso dizer. Assista você mesmo e veja o que aconteceu (links abaixo). Quando o programa chegou à TV Bandeirantes ainda trazia os três excelentes atores da MTV (o Grupo Barbixas), mas acho que até eles perceberam a fria em que haviam se metido e foram substituídos por gente do mesmo nível em que o programa chegou. Ou seja, nada restou para salvar a história.

Como o programa era:

(tem um jogo das frases de brinde, que era muito legal e sumiu durante a metamorfose)

Como ficou:

Vejamos:
1) JOGO DO TROCA TROCA: até o fim da sequência musical, você já terá trocado de canal - PESCOU, HAH?!?!?!
2) Esse "figurino" é que não dá para entender. Parece que estavam tomando um cafézinho no bar da esquina, um virou para o outro e disse: "ei, vamos lá na TV fazer umas micagens?" (o apresentador não, porque aquilo não é roupa que se use em ambientes externos). Na MTV, os atores usavam macacões que chegavam a RASGAR de tão livres que eles se sentiam para executar os movimentos (e quem já fez 2 aninhos de teatro sabe como é esse negócio, tanto que se fala sempre em "roupa de guerra" para ensaiar), mas... com esse figurino que a Band proporciona, seria possível encarnar uma foca e se esfregar no chão?

O programa original não tinha mulheres no elenco e elas nunca fizeram falta: vi várias vezes os rapazes interpretando diversas mulheres/meninas mostrando-se muito mais femininos do que as duas moças que participam do programa novo. Sem falar na tendência que elas têm para gritar (não, não é que o personagem peça que elas falem alto, até porque o que elas fazem muitas vezes é gritar mesmo. Ou então as vozes são agudas demais e meu ouvido é que não aguenta).

Uma das maiores mancadas na fórmula do programa novo é a participação do público na hora de sugerir temas. No original, um dos participantes do programa se postava junto à plateia, colocava o microfone e dizia "fulano, diga alguma coisa que...". Assim, no susto. A pessoa invariavelmente dizia a primeira bobagem que viesse à cabeça e o resultado muitas vezes ajudava os atores na elaboração de cenas bizarras e absurdas (sem que fosse preciso criar um quadro específico com esse título, como existe agora). No novo programa o tema é lançado, o apresentador fica procurando alguém na plateia para contribuir e, enquanto isso, todos têm tempo para pensar. Espontaneidade foi-se embora.

Nem vou falar da bobagem que Marcos Mion fez em sair desse programa na MTV. Aliás, todos fizeram grandes bobagens aqui, mas a maior de todas as mancadas quem cometeu foi a MTV quando perdeu um elenco tão perfeitamente entrosado (pois o Quinta Categoria original, com o mesmo palco, os mesmos jogos e a mesma abordagem da plateia permanecem lá, mas com novos atores que, embora tenham sua graça, não têm o carisma nem a naturalidade dos originais), responsável pelo programa mais legal da casa (Marcelo Adnet e o Comédia MTV só chegaram depois. Para salvação da MTV, já que o M do nome da TV é o que menos tem por lá).

Eu tive certeza de que esse É Tudo Improviso era um fiasco sem tamanho na última segunda-feira, quando levaram um cara hilário como o Danilo Gentili para participar de um quadro e nem ele conseguiu me arrancar um mero sorriso (parecia mais perdido do que cego em tiroteio). Depois descobri que na verdade ele participou de DOIS quadros, mas eu havia mudado de canal antes que o primeiro terminasse. Lamentavelmente.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

@liscapisca Meets The Television: Domingão da Casé!



Inhaí... após três semanas sem TV, estou de volta de meu retiro espiritual. E volto trazendo uma bomba: você sabia que os programas de entretenimento que passam na TV uruguaia são, em sua maioria, produzidos pela Argentina, e não no país? Diz uma amiga que tenho em Montevideo que isso acontece porque os uruguaios não dão bola para a TV enquanto entretenimento, não querem saber de produzir nem de assistir (os programas jornalísticos, obviamente, esses são feitos no país). Isso talvez explique a esmagadora quantidade de livrarias e sebos, os excelentes índices de educação e cultura do país (e todas as demais consequências, como ser o país mais seguro e de melhor qualidade de vida da América do Sul, só para dar uma noção do que é uma terra de gente civilizada).

Mas, bem, li hoje uma entrevista do Marcelo Médici para A Tribuna em que ele diz, em outras palavras, que a TV apresenta aquilo que o povo quer ver. Portanto, paremos de reclamar que a TV brasileira não tem qualidade – nós é que não temos senso crítico e continuamos a assisti-la. E estamos lá, espelhados nela. Faz sentido: a TV uruguaia não tem uruguaios porque eles estão ocupados longe dela. Mas tem argentinos, inclusive se exibindo no Big Brother, que lá se chama Gran Hermano, mas é igualzinho ao daqui: as legendas explicam “estão falando de Fulano e Beltrano”, “veja a briga de Fulaninha e Fulanalda”. O que me leva a concluir que rixa entre brasileiro e argentino não tem pé nem cabeça pois, enquanto sociedades consumidoras de TV, somos iguaizinhos.

Pois bem, a TV brasileira espelha a sociedade tão bem que agora tem um programa que BERRA Brasil-il-il-il, brasilidade é isso aqui, somos-um-país-tropical e etc e tal. A tradução perfeita daquilo que o Brasil é vai ao ar aos domingos, no horário do almoço, na TV Globo. Ou melhor: a tradução perfeita daquilo que o gringo PENSA que o Brasil é. Começa pela apresentadora, Regina Casé, que tem a cara do Brasil. É isso mesmo, crianças: Xuxa, Angélica, Eliana e Ana Maria Braga não têm cara de brasileiras (que tenham nascido fora da região Sul). A tia Regina Casé sim, essa podia ter nascido em qualquer lugar do país, do Oiapoque ao Chuí. Os convidados entram dançando ao som de um sambinha. Pára tudo: ATÉ O PRESIDENTE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO VEIO SAMBANDO. Lembrei do Príncipe Charles dançando com a passista Pinah em 1981 (?). Ora se esse não é isso mesmo que o gringo pensa do Brasil, que é esse é o país em que até os mais improváveis caem no samba?

Enfim, o programa é um festival da disseminação dos estereótipos, e tudo aquilo que os gringos acham que todos os 180.000.000 de nós somos está lá: vários convidados do samba, uma escola de samba diferente a cada domingo, passistas de escola de samba usando biquíni prateado e muitas plumas no palco, crianças fantasiadas de nega-maluca (!) dançando o tempo inteiro, lá pelas tantas entra um grupo dançando funk-de-morro... Tudo com muita cara de o-Brasil-inteiro-é-o-Rio-de-Janeiro, até que lá pelas tantas entra um grupo de gaúchos vestidos com roupas típicas (todas muito longas e muito amplas) preparando um churrasco e fazendo a... dança do pezinho! Uma evidência comprometedora dessas e ainda tem quem não entenda por que o Rio Grande do Sul é um país à parte.

O programa tem alguns pontos muito positivos, por exemplo, o cenário chocantemente colorido (com cara de Televisa Producciones) em nada lembra as produções da Globo, o que me dá a impressão de que a criatividade chegou ao visual da Vênus Platinada. Fernando Henrique Cardoso usou seu tempo para dar declarações esclarecedoras a respeito da descriminalização das drogas, que defende, explicando o que é e como se faz, e citando exemplos que fizeram com que eu parasse de ver o ex-presidente como alguém da turma do legalize e finalmente aceitasse sua proposta como válida. A explanação foi rápida, curta e em termos claros, ou seja, prestou um serviço de utilidade, pois não há como não tê-lo entendido (e sabemos da dificuldade que as pessoas têm em entender um político, ainda mais um do calibre de FHC). Tem muita música, e ao vivo, o que para quem gosta do estilo (hoje foi só sambão, não sei se varia, me pareceu que não), é uma diversão e tanto. Particularmente samba não é minha praia, mas é um som que respeito e tolero, e foi bonito ver vários descendentes de sambistas famosos juntos fazendo uma música agradável aos ouvidos (contrastando com tanto lixo que jovens e adultos andam produzindo e chamando de “rock” ou de “funk”, duas heresias). Mas o que incomoda é essa insistência em que o Brasil é “uma coisa só”: um programa com cara de Brasil teria que ter no mínimo umas 5 horas de duração, para ter tempo suficiente para mostrar todas as nuances de um país tão variado quanto esse. Ou, pelo menos, a cada domingo deveria focar uma região/característica/aspecto cultural diversificado. Mas pelo formato do programa, senti que o enfoque à diversidade ficou só nos 5 minutos dedicados à dança do pezinho e ao churrasco gaúcho. E continuemos vivendo assim então, acreditando (e deixando todos ao redor acreditarem) que o país é 95% composto pelo Rio de Janeiro e 5% pelos demais estados.

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

@liscapisca Meets The Television - Sansão e Dalila


Só minha consciência sabe o quanto eu relutei em falar sobre esse assunto, mas acontece que a gente não deve falar do que não conhece e, a verdade é que, nesse momento, em termos de televisão, eu só conheço/acompanho/respeito/aguardo ansiosamente pelo início de uma única coisa na TV: a minissérie Sansão e Dalila, da TV Record. Que não passa de uma novelinha, é verdade, mas graças aos seus 16 episódios (sendo 4 por semana), essa novelinha vai me escravizar por apenas um mês, e ainda me dá o sábado e a segunda-feira livres, vejam só!

Os maldosos gostam de chamar a Record de “Recópia” devido à sua pretensão em emular a Rede Globo. Mas, justiça seja feita, a Record investiu pesado na produção dessa minissérie e está trazendo um resultado muito agradável aos olhos. Porque ir até a Toscana e servir-se do que a natureza e arquitetura deixaram lá para gravar uns capítulos de novela é mole, amiguinho, bom mesmo você vai ser quando conseguir recriar a Palestina de mais de 2.000 anos atrás. E a Record conseguiu (embora eu não me lembre de como era a Palestina naquele tempo), pois a recriação corresponde em muito àquilo que os livros de história me deram a entender que a região era. Pouco antes do início da série, algum programa da emissora fez uma espécie de making of no qual mostrou, além do processo (primoroso) de confecção das roupas, as praias do Nordeste onde a história seria gravada, e temi pela quebra da fantasia vendo aquelas imagens, mas, assistindo ao resultado, é como se eu jamais tivesse visto que aquelas dunas ficam, na verdade, há 5 horas de distância daqui de onde estou.

Ainda no quesito “muito agradável aos olhos” a Record nos fez o favor de, num elenco cheio de gente feia, colocar duas jóias em papéis de destaque: Fernando Pavão e Miguel Thiré. Como se não bastasse, são dois excelentes atores, especialmente o intérprete de Sansão, cujas expressões faciais transparecem toda a angústia do herói da trama. Os meninos também foram brindados com imagens de encher os olhos: tem a linda Joana Balaguer, as várias cortesãs do Príncipe de Gaza, a Thaís Fersoza, que é uma gracinha mesmo vestida sempre com a mesma roupa e Mel Lisboa, que ficou uma Dalila tão linda que dá até raiva de existir no mesmo planeta que ela... e, como se não bastasse, atua bem demais. E para quem não se preocupa com questões visuais e apenas se interessa por trabalho bem feito, tem o Comandante Abbas (Milhem Cortaz), figura literalmente assustadora que poderia ter se tornado uma caricatura nas mãos de alguém sem talento.

A melhor de todas as surpresas dessa minissérie é que, apesar de estar sendo exibida em uma emissora mantida por uma igreja e de ser uma história de cunho religioso, Sansão e Dalila vai ao ar simplesmente como um delicioso épico sobre um herói trágico e não lembra em nada aqueles filmes declamados que enchem a TV em época de Natal/Páscoa. É um programão!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

@liscapisca Meets The Television! E as novelas????


Passione está chegando ao fim. Não vi um capítulo sequer, não gostei. \o/

Todos gostamos de histórias. Quem assiste a um filme ou lê um livro está atrás de uma. E novelas são apenas a evolução tecnológica do folhetim, uma história que era publicada em capítulos nos jornais. Então, dizer "não gosto de novela porque são bobocas" é raso. Ou você não gosta de histórias (e então pare AGORA de ver esses filmes aí que você se vangloria de ter visto) ou você não é bom de argumento. Eu fujo de novelas por motivos bem racionais. As novelas não são bobocas porque massificam o pensamento, ou seja lá qual for o motivinho que você escolha que o faça parecer muito intelectual. Elas são bobocas por causa do formato.

Novelas escravizam seu público. Tenho dó de quem monta o cronograma em função "da minha novela". Só vou sair depois da minha novela. Não vou ver esse filme legal porque é na hora da minha novela. Me liga só depois das 10, porque... (já ouvi tudo isso). Pior é quem te visita e manda pôr lá na Globo porque "vai começar a minha novela". Esse circo dura 6 dias por semana durante quase um ano. E tem 3 novelas no ar num único canal. Haja tempo perdido.

Há quem diga que "se você perder uma semana da novela, na semana seguinte está tudo igual". Então não presta. Você não pode simplesmente saltar uma página de um bom livro e continuar lendo na próxima, então porque uma novela seria boa se você pode ter esses lapsos no meio? Além disso, um noveleiro que perde um capítulo depois fica perguntando para seus chegados "o que foi que aconteceu com o Fulano ontem, hein?". E se perguntar para mim, vou fundir a cuca para lembrar quem é o Fulano e poder falar da vida dele. Outra coisa vergonhosa que a novela provoca no seu público: o povo começa a discutir os rumos de uma personagem como quem discute a vida do vizinho (coisa que não é bonita de se fazer, vale lembrar).

Uma novela tem 510 Fulanos, alguns deles sequer se cruzam durante a trama. E há os que nem têm função, só aparecem para dizer que "lá na vila, tá todo mundo chocado com o que você fez!", e desaparecem, deixando a personagem pensativa. O irrelevante. Depois, cada personagem tem uma história. Esse excesso dilui a trama. Veja bem, tem o cara que ninguém sabe que morreu. O que fingiu que morreu. O casal cujas famílias se odeiam. O adolescente que não sabe que não é filho do pai e se revolta quando descobre. A mulher que não sabe se quer o marido ou o cunhado. O vilãozinho canastrão que quer destruir tudo que vir pela frente. A boazinha que toma na lomba o tempo todo. O engraçadão do bairro. O azaradinho. O bonzinho que ninguém quer. O cafajeste que todas querem. O gay. Se você cria uma história com cinco Fulanos e insere nesse núcleo todos os clichês citados (e mais alguns), terá personagens muito mais interessantes. O cafajeste que todas querem não quer ninguém porque descobriu que não é filho daquele pai – que é gay –, cuja esposa sai com o cunhado, e por isso quer que o mundo se exploda. Não contente em ser cafajeste, é um canastrão daqueles que querem destruir todo mundo que aparece na sua frente. Agora sim temos uma história boa de se acompanhar, especialmente se ele se apaixonar pela boazinha azaradinha que vem da família que não se bica com a dele. Só que pouca gente não sustenta 8 meses de uma hora diária. E oito meses da mesma lenga-lenga é muito chato.

Em uma minissérie, os conflitos se desenvolvem com muita rapidez, por isso é um formato muito mais interessante. Quando baseada em fatos reais, fica mais interessante ainda. Larissa Maciel fazendo Maísa (perfeita) dava a impressão de que se estavam assistindo imagens de um reality show gravado muitos anos atrás. Baseada em um livro, como A Casa das Sete Mulheres, a minissérie traz vida a personagens e paisagens que você havia criado com a imaginação. E, às vezes, descobrem-se nuances não notadas na leitura (um trejeito, um item do vestuário). O fato da minissérie ser curta faz com que você desapegue do personagem mais rapidamente. Alguém que convive com você durante meses não parte assim, como se não tivesse acontecido nada entre vocês. Resultado: Glória Pires pode ser a excelente atriz que for, para mim ela vai ser sempre Maria-de-Fátima, de Vale Tudo. Fui tentar ver "E se eu fosse você" e só via Maria-de-Fátima. Desisti. Assim como Marcos Frota vai morrer sendo Tonho-da-Lua. E o Lima Duarte, Sinhôzinho-Malta; e a Regina Duarte vai ser sempre a Rainha-da-Sucata (que tinha uma filha, a Maria de Fátima, primeiro momento em que percebi o fenômeno). Uma personagem marcante que passa quase 300 dias na tua tv não vai embora. Com as personagens de minisséries não há tempo disso ocorrer. A Mel Lisboa que vejo em Sansão e Dalila é Dalila, não é a Anita, pois essa não teve tempo de se fixar na minha mente, por mais marcante que fosse. Mas se Presença de Anita tivesse ficado 6 meses no ar, agora eu não conseguiria abstrair e curtir o papel que ela está fazendo.

As séries americanas também têm um formato interessante (embora se alonguem por anos), porque elas só prendem você diante da TV uma vez por semana. E mesmo que se perca um episódio, não se fica tão perdido, já que mesmo quando há uma trama de fundo, cada episódio gira em torno de um evento independente e aquela trama será mencionada mais cedo ou mais tarde. Taí uma maneira de buscar diversão vazia sem se tornar escravo da TV. A não ser que você queira assistir a cada-uma-delas (tem umas trocentas séries dramáticas diferentes no ar, entre novas e reprisadas). Nesse caso, aconselho a ver uma novela qualquer da Globo porque vai dar na mesma.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

@liscapisca Meets The Television...e o Show da Virada!!!!


Ontem a Globo presenteou seus telespectadores com o filme feito com imagens recolhidas dos ensaios da turnê This Is It, de Michael Jackson, que, como você bem sabe, não aconteceu (mas, se assistiu ao filme, percebeu que teria sido um dos maiores espetáculos já vistos na Terra). A emissora acertou na escolha do filme para uma noite em que provavelmente ainda tinha muita gente reunida em família, pois é difícil encontrar quem não goste de Michael Jackson – não se trata de um artista por cuja obra as pessoas tenham rejeição.

Enfim, Michael Jackson se foi, deixando um legado invejável para a música, e o que nos restou? O Show da Virada.

Ah... o Show da Virada é daquelas coisas que, se você tiver um firme propósito de começar o ano novo com otimismo, ele chega e acaba com sua boa intenção. Apresentado pela Globo há... 10? 15? Sei lá quantos anos, mas parece uma eternidade, o Show da Virada é a melhor demonstração da consideração que a Rede Globo tem por você, telespectador. Eles gravam um show com 510 dos artistas que mais se destacaram no ano que passou e cujos estilos nada têm a ver uns com os outros. A intenção é boa: tentar agradar o maior número possível de pessoas. O resultado: você ouve uma (duas, talvez) música(s) do seu agrado e passa as outras 342 orando pro ano acabar (e aquele martírio junto). Ou vai me dizer que você é do tipo que gosta de NX Zero E Jammil E Michel Telo, só para citar alguns incompatíveis? Cada artista canta uma música só, mas você sabe que ele está ali naquele palco há pelo menos duas horas, pois nada justifica o cara entrar no ar já suando em bicas (a visão de Luan Santana pingando – além de sua calça inominável – é a imagem que vai perseguir meus pesadelos ao longo de 2011). Se a ideia é apresentar um show, e não só uma música, para o público presente (pagante?) e dele extrair apenas um trecho para ir ao ar na colagem, a produção deveria ter o cuidado de programar a música que vai ao ar para o início do show. Assim, pelo menos, o artista entra na sua casa com carinha de quem tomou banhinho e se perfumou para fazer parte da sua festa de fim de ano. Mas cadê que a produção pensou nisso...?

Enfim, mistureba de estilos, artistas em estado de fim de feira e, como não podia deixar de ser, não uma, mas duas divas do Axé, que por mais grandiosas que sejam, você já não aguenta mais ouvir falar, devido à constância de seus nomes na mídia nos últimos meses. E, como se não bastasse, após o intervalo para a contagem regressiva, uma delas volta. Alguém pensou em overdose?

O mais incompreensível foi aquele blazer branco dos moleques do Restart. Nada mais sem pé nem cabeça. Você passa o ano inteiro os vendo fazer as combinações de cores mais esdrúxulas (porque isso é parte do estilo deles) e, no último dia do ano, a produção da Globo enfia um casaquinho branco em cada um (só pode ter sido coisa de produção, já que, com exceção do baterista, a roupa dos demais “músicos” não combinava e todos sabemos que o visual é um dos itens mais importantes na apresentação deles). Por que foram fazer isso? Porque é ano novo, o mundo é uniforme e todo mundo tem que fazer exatamente a mesma coisa: ouvir as mesmas músicas que ninguém aguenta mais ouvir depois de um ano inteiro, com todo mundo vestido de branco em frente à televisão, sintonizada na Rede Globo. Porque vá tentar fugir dessa transmissão quando tem mais de 5 parentes seus juntos (aliás, é um dos meus sonhos descobrir o que acontece em QUALQUER um dos outros canais quando se aproxima a meia-noite do dia 1º de janeiro).

Se você consegue fugir disso, nos ensine sua técnica para termos um réveillon mais agradável no ano que vem!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

@liscapista Meets The Television - E Lá Vem Mais Um BBB...


Lá vem mais um Big Brother Brasil. Confesso: a primeira edição me deixou vidrada. A novidade era bastante interessante, pois as pessoas pareciam espontâneas (até porque não tinham idéia de como o público estava recebendo a atração). Acompanhei a primeira temporada até a saída do Adriano Castro (artista plástico baiano). Desencanei quando percebi que o tal de Kleber “Bam Bam” iria para a final. Não entrava na minha cabeça dar uma baita grana (na época, “só” uns 500.000 reais) para um sujeito que não aparentava ter mais de um par de neurônios. Bam Bam venceu, os participantes atraíram algum interesse da mídia (nem 1/5 do que rendem as temporadas mais recentes), e eu simplesmente achei que a ingenuidade original se perderia na segunda temporada, portanto a ignorei. Tudo que sei dela é que, certa noite, uma doida armou um panelaço. Achei que o programa não emplacaria 5 temporadas.

Que nada. Foram-se 10 anos e, como disse uma vez Marcelo Tas, há cerca de 150 ex-BBB’s em circulação. Os que atingiram o estrelato a gente conta nos dedos de uma só mão: Sabrina Sato e Grazi Massafera, que tiveram oportunidades de ouro e souberam aproveitá-las com muita inteligência. Irislene Steffaneli encabeça na Rede TV uma atração que é a sua cara: fala de irrelevâncias. Juliana Alves tem uma carreira decente como atriz. De todo o resto, podemos nos esquecer, e a gente tenta, mas eles não deixam. Alguns fazem o impossível para se manterem na mídia. Kleber Bam Bam sempre acha algum “projeto” novo para divulgar. Não o vejo desde a Múmia do Funk, talvez a maldição das pirâmides do Egito o tenha atingido. Gente como Tatiana Giordano e P.A. caçou alguns níqueis comentando eventualmente assuntos aleatórios em programas da Rede TV. Válido. Jean Wyllis entrou para a política e o tempo dirá se foi válido ou não (esperamos que sim, formação para trabalhar direito ele tem). A Multishow insiste em Diego Alemão, que ressurge anualmente em atuação metalingüística: um big brother falando de big brother. Jaqueline Khury bem que tentou com os Legendários – e tinha carisma para se manter no ar –, mas sabe-se lá o que deu errado, pois desapareceu. Uma garota da 7ª e outra da 8ª edição tentam fazer um pé de meia posando para revistas e rendendo notas. Estão certas, beleza não é eterna e brasileiro tem memória MUITO curta (eu mesma já havia me esquecido de uma delas e só lembrei enquanto pesquisava para esse texto). Todos os demais, ou tiveram o brilhantismo de seguir com suas carreiras originais ou estão vivendo das moedinhas colhidas no período das vacas gordas, pois sumiram. O que faz todo sentido já que, até onde sabemos, essas pessoas geralmente tem formações em administração de empresas, publicidade, carreira na polícia, entre outras, o que não justifica a transformação do dia para a noite em atores/apresentadores de TV. Ver o BBB como uma porta a se abrir para sua carreira (ou até para uma nova opção de carreira) é uma coisa coerente, achar que vai se tornar a nova sensação da mídia é para poucos e requer, além de talento, muito trabalho. Não são 90 dias no ar que vão garantir isso. Taí o vencedor da oitava edição que tinha tudo para virar um rockstar, mas teve a sensatez de não adiantar o fenômeno Fiuk.

Enfim, dia 21 de dezembro vi no Programa A Tarde é Sua que uma aeromoça da segunda edição estava panfletando nas ruas para sobreviver. Duas coisas me intrigam. 1 (e principal): por que, tendo participado do programa há quase uma década atrás, a pessoa ainda atrai interesse da mídia? 2: apesar de estar infinitamente mais bonita hoje do que na época do programa, falar 4 línguas e ter 20 anos de experiência (assim disse ela), por que não consegue emprego? Algo está muito estranho: dizem que atingimos a menor porcentagem de desemprego “na história deste país”. Ok, ela não é mais nenhuma jovenzinha, mesmo assim me causa estranheza que alguém que tenha se tornado popular não tenha conhecidos que possam indicar uma vaga de emprego. Ela diz ao repórter que a exposição mais atrapalhou do que ajudou – e é compreensível. Acredito na mentalidade retrógrada dos empregadores. Mas e quanto a toda essa produção que a mantém “nos trinques”, isso tudo são favores, e é estranho que essa gente capaz de ceder maquiagem/cabelo/roupas não lhe arrume um emprego de vendedora em shopping ou recepcionista de salão de beleza. Soa tudo muito fora do lugar e a impressão que fica é que ela insistiu em uma carreira no showbiz e acabou deixando passar tempo demais para voltar àquilo que ela sabia fazer. A impressão ficou ainda mais nítida quando a vi interagindo com o povo na rua, como se fosse ela também uma repórter.

Posso estar fazendo um julgamento errado (talvez esse país não seja a maravilha que dizem por aí e a moça teve mesmo dificuldades em retornar à sua profissão), mas acessando eventualmente o Ego e até mesmo vendo os vídeos de inscrição para a próxima temporada, percebemos que esse pessoal aposta todas as suas fichas no showbiz, independentemente de formação/vocação. É meio constrangedor. Depois daqueles quinze minutos de diversão, do bate-boca e das intrigas, toda essa gente volta a ter exatamente a mesma relevância de antes: nenhuma. Seria prudente ter um Plano B antes mesmo que se pense em se inscrever.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

@liscapisca Meets The Television! - Gimenez...e o Bilu!!

Pare o que você estiver fazendo e assista o que vem abaixo. Depois eu dou meu parecer.













Você já deve ter ouvido falar no Latininho. No sushi erótico. Dois quadros bizarros exibidos no Domingão do Faustão muitos e muitos anos atrás. Já deve também ter ouvido falar das crianças com problemas esquisitos que o Ratinho mostrava em seu programa. Essas coisas sumiram da TV, e aí eu já pensava “bom, agora nada mais vai me surpreender, né”. Mas chegou o fatídico 14 de dezembro de 2010, dia em que essa pérola de programa acima foi ao ar.

O humor involuntário esteve presente todo o tempo. Luciana Gimenez, grávida linda, fantasiada de viúva alegre num longo preto. Na cabeça, portava um urubu empalhado. O ufólogo/pesquisador convidado para falar sobre um ET tem um nome cujas iniciais são U.F.O.. Um cover do Alfinete do Pânico realizou a matéria. Em um vídeo de péssima qualidade, o ET diz ter muitos produtos que interessam a nós, humanos. Quando o programa terminou eu desconfiava que esses produtos eram drogas muito mais pesadas do que todas que existem na Terra e que algumas pessoas que participaram do programa e o produziram já a haviam consumido (quem sugeriu à Luciana pôr o urubu na cabeça foi uma delas).

La Gimenez ficou tão desbaratinada que falou inglês, português, francês, e até um SHOOSH soltou durante o programa. Pudera. Os debatedores, todos céticos, ironizaram por todo o tempo. Um deles, uma atriz, não fez nem o favor de pentear o cabelo para aparecer na TV. Os alienígenas têm nomes de personagens de Walt Disney, tipo Huguinho, Zezinho e Luizinho. Mas os militares citados pelo “pesquisador” como conhecedores da situação têm nomes de ianque, todos eles. Segundo o ufólogo, Bilu, o ET de voz infantil e português perfeito, passeia por aí: já esteve em outras cidades do país e na França. Achou por bem dar as caras para a TV brasileira. Não saca nada de marketing, o negócio é CNN, seu Bilu.

Há um momento iluminado em que Luciana Gimenez pergunta ao pesquisador “qual foi a primeira vez em que o Bilu apareceu na sua vida?”. Quem mudou para a Rede TV naquele exato momento pode ter achado que se tratava de confissões de um homossexual. Contrariado ou questionado, o ufólogo demonstrava sempre grande irritação e/ou indignação, típicas dos que não têm como contra-argumentar.

A mensagem de Bilu é de esperança: ele teria algo a compartilhar conosco que só nos faria bem. Mas estando entre os terráqueos há mais de 4.000 anos, por que ele teria resolvido dividir sua informação só agora? Seria pela proximidade com 2012? E por que ele se comunica com voz e entonação de narrador de história da Série Disquinho? E por que em português, se ele fala todas as línguas e, em inglês, sua mensagem seria entendida por infinitamente mais gente no mundo inteiro?

A gente quer acreditar em tudo que venha de outro planeta (até porque eu acredito piamente nessa história de 2% da população ser composta de ETs que convivem conosco, ela faz sentido porque explica muita coisa), mas do jeito como esse programa abordou o tema, não dá nem para ter a boa vontade de dar o benefício da dúvida. Uma coisa é tratar determinados temas com leveza, outra coisa é por no ar um freak show (e, como se não bastasse, esse urubu na cabeça da Gimenez vai aterrorizar minhas noites pelo resto da vida). Se o cara se presta a ser escada para esse stand up comedy, eu entendo que nem ele está levando seu próprio trabalho a sério.

Herbert de Souza disse que se encontrar o Bilu, vai sair na mão. Estou ansiosa por esse episódio.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

@liscapisca Meets The Television! Policia 24 Horas


O melhor Tropa de Elite que já fizeram foi ao ar ao vivo, ao longo dos últimos dias. O momento que coroou a reportagem foi a prisão de um bandidão do tráfico, devidamente todo urinado. T-o-d-o u-r-i-n-a-d-o. Na Rede Globo, ao vivo, para todo o país. Daquelas coisas que, quando você vê, pensa, “poxa, como que eu nunca havia sonhado com um momento assim?”.

Vivemos numa sociedade e uma realidade tão violentos que só pode ser natural todo o interesse em torno desse tipo de ação e até mesmo pelos programas que estão no ar aí desde os tempos de Aqui Agora e as histórias tétricas de Gil Gomes. Atualmente, quando se fala em programa policial, quem nos vem à mente é José Luiz Datena, com sua gritaria, indignação e reportagens que nos fazem crer que o mundo acabou e estamos vivendo no limbo. Então, esses programas policiais só servem para nos deixar deprimidos, correto?

Não. O mais novo dos programas policiais – que está mais para reality show, só que sem as competições bobocas – pode ter o efeito colateral inesperado de resgatar a autoestima de quem o assiste. Quando alguém comenta esse programa, é sempre com um sorriso na cara, daqueles de quem está pensando “esse papelão eu jamais seria capaz de dar, nem depois de 30 brejas”. Afinal de contas você não se jogaria num córrego fétido para fugir da polícia, seria? Ainda mais usando a camisa do Corinthians. O coração sente um alívio quando você vê o desespero escancarado de uma mãe que vê seu filho (geralmente muito jovem) indo para o camburão completamente travado de tanta droga e pensa “bom, pelo menos esse vexame eu nunca vou fazer minha família passar”. Polícia 24 horas mostra os astros do programa – policiais de diversos pontos do país – em atuações sempre bem sucedidas, o que nos dá a sensação de que estamos bem amparados. Vemos os policiais garantindo a segurança nos estádios de futebol antes, durante e depois das partidas (e vemos como torcedor é geralmente uma racinha patética, novamente elevando nossa autoestima – quer dizer, isso se não formos torcedores também). O reality show policial não nos traz a indignação por ouvirmos relatos de mais crimes escabrosos, cada dia um pior do que o outro, e a sensação de que nada vai acontecer. O programa, ao terminar, nos deixa com aquela sensação gostosa de que o crime – seja ele grave ou bem pequenininho – não compensa, de que os maus vão para a cadeia e os bons são justiçados. Tudo aquilo em que anda difícil crer. Sem gritaria no seu ouvido. E com um bocadinho de ação sem efeitos especiais.

E a gente desenvolve um respeito maior pelos policiais porque... sinceramente, lidar com esse tipo de gente que eles têm de lidar por aí, mantendo-se sérios e respeitando o cidadão deve ser de uma dificuldade monstro. Olha esse goiaba deslumbrado porque a lata dele começa a cantar e cisma que tem que levar uma grana por ela (com comentários do Datenão)

Como é que a polícia lida com isso sem perder a serenidade?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

@liscapisca Meets The Television - A "Sensualidade" da Madrugada


Na TV, nada se cria, tudo se copia. Às vezes, de forma aprimorada. Outras vezes, era melhor ter jogado no lixo.

Ao ligar uma TV de madrugada na Itália, você finalmente entende porque um sujeito feito o Berlusconi é eleito primeiro-ministro três vezes. Ele é a essência da alma italiana: mulher desinibida em quantidade é tudo que o italiano quer na vida. Então, é coerente eleger alguém que pratique e valide isso. Após a meia-noite, cerca de 25% dos canais italianos estão comentando e/ou reprisando futebol, 5% deles transmitem noticiário e previsão do tempo, 5% passam algum documentário sobre a Segunda Guerra ou filme antigo de algum país exótico e o restante (65%) tem mulher seminua ao vivo conversando no telefone com você. Tem pra todo gosto: morena, loira, eslava, sulamericana, sozinha, em duplas, mas todas muito, muito safadas, dizendo coisas de corar a Vovó do Pânico. Na tela, números de telefones e valores por minuto. Quem quiser uma ligação com privacidade (conversa-se ao vivo com as vozes abafadas por música), paga mais caro, mas fala mais. E quem está ao telefone? Solitários com um fetiche em comum: o pé. Para cada um que pede um close do derrière, três pedem do pé. Esses programas são bizarros, porém é tudo tão trash e descarado que o resultado é divertidíssimo.

Um dia, por volta da uma da manhã, vejo na Rede TV duas moças de lingerie sobre um sofá. Uma delas usando um baby-doll que não deve ser usada por uma moça com mais de 12 anos, a menos que esteja indo dormir sozinha. Na tela, o número do telefone, com os valores a pagar por minuto. Maravilha! O humor involuntário chegou à minha TV!

Mas e a conversa? Ai, a conversa... Elas tentavam atrair os telefonemas dizendo que tinham quatro “ingressos” para o motel, (oi, q?), e quem quisesse acompanhá-las tinha que telefonar. Elas falavam sobre o que fariam lá. Será que tinha jacuzzi? Uma delas queria passar horas agradáveis conversando na Jacuzzi. (Hein?) De repente... ah, eu quero dançar! E começam a dançar, desconjuntadas, de uma forma que daria demissão do clube de strip com justa causa. Juro. O tom de voz gritado de uma delas, o vocabulário, a dança, tudo passava longe demais do que se entende como sexy, provocante ou sensual. Uma delas percebe um tapete no chão. Será que no motel tem um tapete igual a esse? Vou me deitar nele, que gostoso. Como é que é? Não sou homem, mas broxei meia hora atrás. Num dado momento, até em compromisso elas falaram. Se havia algum homem assistindo, nesse momento ele desligou a TV e foi dormir.

Dias depois, madrugada de sábado para domingo, comecei a zapear. Parei na TV Gazeta: no ar, três ou quatro moças trajando lingeries de gosto duvidoso, uma delas com um robe que ia até o chão. O mesmo número de telefone no ar. Assisti por quase meia hora. Nunca fiquei tão constrangida com tamanho festival de pudor. Então, você trabalha na TV vestindo lingerie para entreter praticantes do prazer solitário que pagam por uma ligação. O que você faz? Se faz de difícil, de pudica. Um coitado trocou gracejos com uma das moças. Jogou um vídeo-game de pobre e ganhou. Não tem prêmio. Ah, mas ele merecia um prêmio. Pediu para a moça tirar o sutiã. A linha caiu. E o pobre ainda tomou uma chamada: você é muito safadinho! Oi? Madrugada de sábado, pagando R$ 1,64 por minuto mais impostos, ela esperava o quê? Para conversar sobre problemas do mundo já existe o Fala Que Eu Te Escuto, com ligação grátis.

Não sou público-alvo desse tipo de atração nem de longe, mas você pode ganhar telespectadores das maneiras mais inesperadas. Só que o que tentaram fazer aqui não produz sequer um riso de espanto, só o mais puro constrangimento. Tenho dó do cara que se empolgar com um programa desses; até Sabrina Sato inseminando vaca é mais sexy.

Programa Azaração.


Ó aqui uma das loucas falando em casamento. Mais provocante, impossível.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

@liscapisca Meets The Television - Domingão do Portiolli!


Ainda meio sem entender porque a Globo ignorou a expressão melhores momentos ao anunciar a apresentação do show de Paul McCartney e não nos deixou saber que tudo que veríamos era um mero apanhado daquilo que os responsáveis pela programação julgassem que era o que gostaríamos de ver. Eu achei mesmo que eles fossem transmitir, na íntegra, um dos shows mais esperados do ano (quiçá da década ou do século) em pleno domingão à noite. O erro da emissora não foi ter transformado um dos maiores espetáculos da Terra em um compacto, e sim não ter avisado aos seus telespectadores “essa é uma obra prima adaptada”. Foi duro preparar-se um dia inteiro para assistir à trilogia Senhor dos Anéis e ser premiado com a descoberta de que só veria um trailer. Enfim, pelo menos a energia de Paul McCartney presenteou-me com uns momentos de boca aberta no dia internacional da depressão, eu só queria conseguir acordar na segunda-feira com metade do pique que ele tem.

* * *

E falando em senhores que nos deixam de boca aberta... e a sucessão natural ao trono de Sílvio Santos, hein? Lembro-me que no fim da década de 90*, Sílvio Santos teve um problema na garganta que o forçou a diminuir o ritmo de seu trabalho (na época, ele ficava o domingo i-n-t-e-i-r-i-n-h-o no ar) e Gugu, então uma estrela em ascensão, despontou como seu herdeiro natural, assumindo boa parte do domingo. Quando apresentava o Viva a Noite no sábado, Gugu era “o cara”, mas quando entrou para tapar um buraco (no caso, um rombo), o domingo tornou-se irrelevante (para mim). Até que surgiu Celso Portiolli na apresentação do Hot Hot Hot*, programa que tinha um quadro de calouros divertidíssimo chamado A Hora do Chacal*. Celso Portiolli vinha da rádio Jovem Pan, onde atuava como o hilário Pastor Abu, e era naturalmente divertido. Sabe-se lá por que passou os... 20* anos seguintes tapando buracos no SBT, até a bela manhã de domingo em que, estranhamente, acordei antes do meio-dia, Gugu estava trabalhando na Record, Faustão estava perdendo quilos a olhos vistos (esse mundo ficando cada vez mais esquisito) e, ao ligar a TV, deparei-me com o bonitão do Portiolli apresentando... o Domingo Legal. Fiquei chocada não com a presença dele e sim com a existência do programa, porque Gugu já havia levado a malinha dele para a Record há algum tempo e o Domingo Legal já tinha dado tudo o que tinha que dar havia tempos.

Grata surpresa. O programa ficou um pouco mais curto e a presença de Portiolli trouxe um gás novo e uma leveza que eu não via em Gugu (sempre muito solene na apresentação de um programa que deveria ser apenas divertido), mesmo a quadros de apelo emocional, como o Construindo um Sonho. Fiquei muito feliz, há tempos eu achava que o Portiolli era subaproveitado e ele obviamente tinha nascido para aquilo (e ainda por cima faz o favor de embelezar nossos televisores). Se Sílvio Santos resolver se aposentar para cuidar apenas de salvar suas empresas, não haverá mais o que temer: o melhor de seus pupilos está mais do que bem formado – veja você mesmo se não são tal “pai”, tal “filho”.

Celso Portiolli dança salsa (vá direto a 2:45)


Um dos momentos clássicos da TV brasileira


* Esses dados não são 100% fiéis. Nada mais me lembro e deu preguiça de verificar.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

@liscapisca Meets The Television - Two And a Half Men



E então. Você também ficou com dó ao saber que talvez Sílvio Santos veja seu rico e merecido império ir para as cucuias? Por enquanto, a notícia mais triste que circula é que o SBT está negociando a venda de suas madrugadas para programação religiosa. Você sabe o que isso significa?

Provavelmente você não sabe, mas o SBT após a uma da manhã vira um mar de felicidade para quem gosta de seriados americanos (mas não quer entregar até as calças para a operadora de TV a cabo). Tem Without a Trace, Cold Case, Chuck. E, diariamente, tem uma das sitcoms de maior sucesso da TV americana atualmente.

“Ah, mas seriado dublado é uma porcaria!”. Concordo. Mas essa sitcom maravilhosa, à sua disposição de grátis num horário que não costuma ter nada que preste na TV, recebeu uma das melhores dublagens que já vi. Os tons e impostações de voz são bastante semelhantes ao original. Poucas piadas se perderam na tradução. E ainda somos brindados com três episódios seguidos sem absolutamente NENHUM comercial. Não tem como ser mais feliz.

O núcleo de Two & a Half Men (Dois Homens e Meio) é muito simples: dois irmãos que vivem juntos – o mais velho, um solteiro beberrão e pegador; o mais novo, um divorciado problemático – convivendo com um garoto adolescente (filho do irmão mais novo). Como coadjuvantes temos a mãe bruxa, a vizinha assediadora, a empregada castradora, a ex-esposa folgada e uma infinidade de mulheres que entram e saem daquela mansão a rodo. Um dos pontos altos da série são as metáforas usadas por Charlie Harper (magistralmente interpretado – ou seria uma simples representação de si mesmo? – por Charlie Sheen) para falar sobre seu esporte favorito: o sexo, inclusive na modalidade “individual”.

O seriado ecoa outra série já encerrada, igualmente bem sucedida que, a princípio, parece não ter nada a ver com a história dos dois irmãos, mas que chega a ser inteiramente recontada em alguns episódios. Você já viu o sujeito que fracassa no casamento, mas que não consegue parar de pensar em repetir o mesmo erro (chegando a cometê-lo, na terceira temporada, por curto período de tempo). A questão da esposa lésbica também está presente, ainda que no caso de Two and a Half Men trate-se apenas de uma “suspeita” (ou desculpa). Isso mesmo, Alan Harper é Ross Geller sob efeito de esteróides, já que ele também é Monica Geller em toda sua neura de organização e limpeza. Como se não bastasse, ele é também Phoebe Buffay, com sua prática de métodos alternativos de cura. Charlie Harper sofre igualmente de dupla identidade: é uma combinação do charme e volubilidade de Joey Tribbiani com o sarcasmo-que-esconde-meus-traumas-familiares-de-infância praticado minuto a minuto por Chandler Bing. Quando o irmão se encrenca, Charlie Harper se dedica a criar listas de piadas possíveis para a situação. Você já viu isso antes. Friends contou essa história durante 10 anos e era impossível que personagens bem interpretados com problemáticas tão parecidas não tivessem feito o mesmo sucesso.

O negócio é começar a fazer uma novena para Sílvio Santos tirar seu banco da lama e não ter que vender a alma das madrugadas do SBT.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Minha Nova Colaboradora - @liscapisca Meets The Television

Com grande satisfaçao q eu trago ate vcs, leitores do Blog do Zé, a minha nova colaboradora: Lisandra Coelho, tbem conhecida como @liscapisca
Ela vai ser a responsavel por um texto semanal sobre...televisao! Sempre me divirto com os comentarios dela via Twitter qdo ela esta assistindo tv (e ela assiste MUITA Tv)...entao nao podia deixar passar batido essa oportunidade de compartilhar com todos o talento dessa moça...
Entao, sem mais delongas...

@liscapisca Meets The Televison!!!




Olá!

Foi com muito orgulho que aceitei o convite de meu amigo Zé (o do blog) para escrever periodicamente algumas coisinhas sobre tv. Acontece que ele é um preguiçoso e eu sou uma viciada, e ele achou por bem “terceirizar” a tarefa, por mais que seja ele o jornalista/radialista/tevezista(?) e eu... uma mera curiosa.

Mas digamos que eu não seja uma completa leiga. Tendo passado uma enorme parte da minha vida diante da tv (acredito que a primeira geração a ter sido criada pela babá eletrônica, de fato, foi a minha, pois eu já passava minhas manhãs na frente da máquina de fazer doidos quando a Xuxa era apenas a namoradinha desinibida do Pelé), por mais que eu não tenha o conhecimento científico/acadêmico sobre a coisa, eu tenho a vivência. Sei identificar o que presta e o que não presta, não só em termos de qualidade (ou de falta dela), mas também em termos de “isso é muito chato”/ “isso até dá para assistir”. E desconfio que meu critério seja de certa forma interessante, do contrário não se justificaria o convite que me foi feito.

Sou capaz de passar um domingo inteirinho na companhia da tv, só brincando com o controle remoto na mão. E isso porque minha assinatura popular de tv a cabo me contempla apenas com os canais até o número... 43, uma put@ falta de sacanagem. Só me sobram History Channel, National Geographic, Globo News, Multishow (de que não gosto muito) e Universal Channel para ser feliz. Se eu assinasse o combo master ultra super mega blaster da minha operadora de tv a cabo, era capaz de virar de sexta-feira para a segunda de manhã na frente da tv, sem comida, banho nem contato com seres humanos, só brincando entre a Warner, a Sony e a Fox (está falando uma louca por séries em estado terminal aqui). É por conta de querer que sobrem uns trocados no fim do mês que assisto muito à tv aberta. Ou grátis. Ou podre, se você preferir.

Enfim, abracei aquela filosofia de “se a vida lhe deu um limão, faça uma limonada” e resolvi, após alguns felizes anos no mundo da tv a cabo e um período de limbo e guerra com a tv em geral, fazer as pazes com a tv aberta e tentar extrair o que há (pode haver?) de melhor nela. Afinal de contas, trata-se de um circo/zoológico/hospício gratuito ao alcance da sua mão 24 horas por dia, e não é possível que a gente não consiga se divertir com absolutamente nada que nela haja. Até o Fala que eu te Escuto pode ser uma baita diversão se você o assistir com o olhar certo.

Assim sendo, conversaremos sobre coisas divertidas (ou que, no mínimo, podem fazer com que você se sinta alguém melhor) que existem na tv aberta. Então, nos vemos na semana que vem, quando conversarei com você sobre um dos maiores sucessos da tv... a cabo. Só porque eu sou realmente louca por sitcoms, mas também porque, na verdade, o produto está disponível para nós, reles mortais, se conseguirmos ficar acordados até a uma e meia da manhã para assistir a uma das coisas mais interessantes que a tv americana criou nos últimos tempos. ;-)